Depressão pós-parto

Apesar do nascimento de um bebé ser um momento tipicamente de grande felicidade, muitas mulheres desenvolvem sintomas depressivos. Estes poderão ser ligeiros, sendo habitualmente auto-limitados, ou mais graves. Depressões pós-parto não tratadas poderão ter consequências graves para a mãe e filho.

 

O período pós-parto pode ser definido como os primeiros 12 meses após o parto. A prevalência de depressão pós-parto nos EUA e Europa é de cerca de 9%, em cerca de 50% dos doentes e tem início antes ou durante a gravidez. O fator de risco primário é a história prévia de depressão perinatal ou não perinatal (pré-gravidez, anteparto ou pós-parto).

A patogénese da depressão pós-parto permanece desconhecida. Factores que poderão estar implicados incluem suscetibilidade genética e alterações hormonais, tal como patologia psicológica ou social.

 

Os sintomas são semelhantes ao de um síndrome depressivo que ocorre fora do período pós-parto. Entre eles, destacam-se:
  • Humor depressivo a maior parte do dia, praticamente todos os dias
  • Perda de interesse pela maioria das tarefas
  • Perda ou ganho de peso, aumento ou diminuição do apetite
  • Insónia ou hipersónia
  • Agitação ou lentificação psicomotora praticamente todos os dias
  • Fadiga ou perda de energia praticamente todos os dias
  • Sentimentos de desvalorização ou de culpa inapropriados
  • Diminuição da capacidade de concentração ou indecisão
  • Pensamentos recorrentes de morte

 

A depressão pós-parto pode interferir com a amamentação, com a vinculação entre o bebé e a mãe e com a relação da mãe com o seu parceiro. A depressão pós-parto está também associada a alterações psicológicas, cognitivas e no desenvolvimento da criança.

 

Devemos pensar numa depressão pós-parto se a mãe manifesta alguns dos seguintes sintomas:
  • A mãe mostra-se muito ansiosa com a saúde do bebé
  • Preocupação excessiva com a sua capacidade para cuidar do bebé
  • Perceção negativa do comportamento/temperamento do bebé
  • Desânimo por, pelo menos, 2 semanas
  • Desinteresse pelas atividades do bebé
  • Falta de resposta no apoio necessário ao bebé
  • Consumo de álcool ou drogas ilícitas Falta de adesão aos cuidados pós-natais
  • Contactos frequentes/visitas não programadas ao Pediatra ou Obstetra

 

A avaliação inicial da mãe com depressão pós-parto é semelhante à dos indivíduos com queixas de depressão e deverá passar pela sua referenciação a uma consulta de Psiquiatria.

Não desvalorize os sintomas e procure ajuda especializada. Vai sentir-se melhor e cuidar de si é cuidar também do seu bebé.

Adaptado por Dra. Cátia Alves a partir do Uptodate