Brincar também é crescer!

O brincar é uma atividade lúdica importante, saudável e útil, tanto no plano físico, como no mental. Além disso, é muito relevante quer como uma estratégia de ensino ou facilitadora da aprendizagem.

Actualmente existe uma tendência dos pais se preocuparem muito com o trabalho, relegando as necessidades básicas da criança para segundo plano. Valorizam,  acima de tudo, o sucesso escolar e o desempenho das mesmas.

Piaget, diz que o brincar se dá de acordo com a faixa etária, e a criança, enquanto brinca, está a progredir nas diferentes esferas do desenvolvimento.  Segundo a sua opinião, brincar não é apenas uma forma de divertimento para gastar energia, mas também, é um meio que contribui e enriquece o desenvolvimento. Segundo ele, podemos distinguir três tipos de brincar:

  • brincar prático – inclui o brincar sensório-motor e exploratório do bebé que ocorre entre os 6 meses aos 2 anos
  • brincar simbólico – engloba o brincar ao faz de conta, fantasiar e socio dramático da criança pré-escolar. Ocorre entre os 2- 6 anos.
  • brincar com regras – as brincadeiras e jogos realizados já têm regras. Ocorre a partir dos 6-7Anos.

Mais do que uma ferramenta, o brincar é fundamental para a criança porque:

  • Reforça os laços afectivos. A criança sente mais valorizada quando brinca com um adulto. Quantas crianças não estão constantemente a pedir aos pais para brincarem com elas? Na brincadeira, a participação do adulto, deve apenas limitar-se a uma sugestão, a um estímulo, a uma participação de igual para igual, para que não haja restrição à iniciativa e à criatividade da criança.
  • Promove a descoberta do ambiente que a rodeia, na medida em que a criança enquanto brinca está a desenvolver aptidões e  atitudes sociais que irá utilizar ao longo da vida, nas diversas situações do dia a dia e na relação com os outros;
  • Potencia um desenvolvimento mais positivo, mais harmonioso e mais equilibrado. É uma fonte de diversas descobertas e é através as quais, a criança aprende regras, valores e costumes. É tão essencial, como dormir, respirar e comer;
  • Desenvolve a independência. Ao brincar e, sendo esta uma atividade livre, que não pode ser imposta ou condicionada a criança, apesar de ser dependente dos pais para os diversos cuidados, sente que no ato de brincar ela domina parte da vida, considerando-se dona e senhora da situação.  Ao brincar está a conhecer o seu próprio corpo e as suas potencialidades, permitindo-lhe também exteriorizar situações agradáveis e desagradáveis.

Os brinquedos, quando adaptados à idade e/ou ao desenvolvimento da criança ajudam a criar competências, tanto a nível mental como motor. Porém, não são substitutos de afecto, de disponibilidade, de tempo e de “colinho” dos pais.

Escrito por: Maria Cipriana Dinis (Psicóloga Clínica)